IPO: guia rápido para abrir o capital da sua empresa

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Um passo muito importante dado por muitas instituições, que já foram startups, como o Google, Facebook, Groupon, entre outras foi sua abertura de capital, permitindo a distribuição de ações da empresa na bolsa de valores. Foi por meio de um processo chamado de IPO (Initial Public Offering) — em português, Oferta Pública Inicial — que essas corporações conseguiram captar milhares ou até bilhões de dólares e impulsionar seu negócio.

Com o IPO, a startup se torna, no Brasil, uma S.A. (Sociedade Anônima) e deixa de pertencer a uma única pessoa ou grupo. Nessa fase, é permitida a entrada de acionistas no negócio, que podem investir na startup e adquirir, na bolsa, pequenas partes da empresa. No fim do ano, o lucro é repartido entre os acionistas proporcionalmente à participação que adquiriram. Enquanto isso, é comum que os fundadores do empreendimento detenham a maior parte das ações, sendo considerados sócios majoritários.

Abrir o capital da empresa é vantajoso por muitos motivos, principalmente por possibilitar que uma startup levante uma boa quantidade de recursos financeiros e ganhe reconhecimento no mercado. Mesmo assim, essa é uma empreitada que deve ser bem planejada, uma vez que envolve custos e vários agentes externos à empresa, como bancos, advogados, auditores, entre outros.

Está pensando em dar esse passo e preparar sua startup para o processo de IPO? Se sim, acompanhe este guia que preparamos sobre o assunto e entenda como funciona cada etapa agora mesmo! Confira!

Selecione um banco

O primeiro passo é selecionar um banco de investimento, que definirá, junto com a startup, as características do IPO, o volume de recursos a ser captado, a faixa de preço, entre outros. A instituição escolhida será, assim, responsável por aconselhar a startup e prover serviços de underwriting, que é quando uma empresa contrata um intermediário financeiro que se torna responsável pela subscrição pública de ações no mercado — se tornando seu underwriter. Para tomar essa decisão, você pode observar critérios como:

  • reputação do banco;
  • expertise no mercado de underwriting;
  • distribuição, ou seja, se a financeira emite ações para investidores mais individuais ou corporativos;
  • relacionamento prévio com a instituição.

Due diligence e arquivamentos

No procedimento de Due Diligence, o intermediário financeiro e seus assessores jurídicos fazem uma análise detalhada da startup e de seus gestores, conferindo todos os demonstrativos financeiros, contratos, acordos, declarações de imposto, entre outros documentos. Faz parte também desse estágio a elaboração e leitura do Formulário de Referência, a fim de verificar se existem erros ou inconsistências.

O processo de IPO costuma ser um tanto longo, dura cerca de um ano, e demanda a entrega, análise e auditoria de uma série de formulários, demonstrativos e documentos, por isso que muitas startups contam com uma equipe dedicada para cuidar apenas dessa iniciativa.

Uma vez que todos os formulários e documentos da oferta, incluindo seus anexos, são concluídos, eles devem ser enviados para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ou outras agências regulatórias. Tudo que for entregue passará por análises para que sejam arquivados na CVM.

Preços

Após o IPO ser aprovado pela CVM, uma data para o anúncio da oferta é decidida. Antes disso, a startup e seu underwriter, isto é, a instituição bancária, debatem sobre o preço da oferta — qual será o valor das ações oferecidas — e o número preciso de títulos que serão apresentados ao público. Essa etapa é conhecida como pricing ou contrato de subscrição.

Esse momento de definição e negociações é muito importante, pois vai influenciar o quanto a empresa conseguirá levantar de capital. Para estabelecer o preço da oferta, um conjunto de fatores precisam ser avaliados, como:

  • performance e indicações de interesses recebidos durante os roadshows (reuniões com analistas financeiros e investidores em potencial);
  • objetivos da startup;
  • condições e preços atuais no mercado de ações para empresas semelhantes.

Dentre tantos aspectos, o timing desempenha um papel fundamental para que a precificação seja bem-sucedida. É preciso ficar atento às oscilações e à demanda do mercado para estipular o valor e a quantidade de ações ideal para garantir a liquidez e distribuição ampla.

Estabilização

Depois da entrega dos documentos da oferta, existe um período de bloqueio que dura desde a remessa do protocolo do pedido de registro e demais exigências à CVM até o anúncio de encerramento da oferta. Durante esse tempo, a startup e demais participantes da oferta são impedidos de negociar valores mobiliários.

Enquanto aguardam, o que pode ser feito, no entanto, são operações para estabilização de preços, nas quais subscritores avaliam o interesse de compradores em potencial — contudo não podem efetivar nenhuma venda até receberem autorização.

Transição

O estágio final do processo de IPO é, dado que o período de bloqueio e silêncio exigido pela CVM terminou, a transição de uma empresa de capital fechado para um negócio de capital aberto. Esse é o ponto em que os underwriters são capazes de estimar os ganhos e avaliar o desempenho da startup na bolsa.

Também é aconselhável desenvolver um planejamento para alinhar operações internas e garantir que a startup está preparada para o capital aberto (IPO Readiness), podendo elaborar demonstrações financeiras e assegurando a transparência para o investidor.

Iniciar um processo de IPO apresenta muitos benefícios para uma startup, como a possibilidade de atrair ótimos lucros e ter mais reconhecimento. Em contrapartida, é uma decisão que precisa ser muito bem avaliada, uma vez que o procedimento tende a ser moroso, complexo e os gastos, que incluem taxas, honorários, entre outras despesas, são altos.

Logo é fundamental que startups tenham conhecimento sobre capitalização de preço de mercado para que seu IPO tenha sucesso. As condições econômicas do setor, mudanças geopolíticas e a volatilidade do mercado de ações precisam ser levadas em conta para que empreendedores consigam ponderar sobre o melhor momento para fazer a transição para abertura de capital. Assim, preparar a empresa e sua equipe para esse momento e refletir sobre o timing ideal são passos importantes para o êxito dessa empreitada!

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